25 de dezembro de 2025

Natal raiz

[Jesus] foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados (Is 53.5).

Leitura Bíblica: Lucas 2.1-9 

Há tempos, o Natal tem sido adaptado ao consumo de todos: uma mera tradição que fala de paz e amor, cheia de luzes, enfeites, presentes, no cenário de um estábulo em Belém, ao som de canções típicas. O presépio tem bichos fofinhos a rodear um bebê; mas a manjedoura é, na verdade, um cocho em que, momentos antes, comiam os animais – último lugar onde se colocaria um recém-nascido. O estábulo, sujo e com cheiro de esterco, era impróprio para um parto; mas ali Maria deu à luz, em condições tão precárias, por falta de opção. Um anjo anunciou o nascimento de Jesus a pastores no campo e, em seguida, um coro angelical explodiu em adoração a Deus. Que paradoxo! O mais lindo coral da história não foi ouvido por líderes religiosos, nobres ou reis, mas pela ralé. 

Quando Jesus nasceu, Israel era dominado por Roma. Os judeus viviam subjugados, em pobreza e pagando impostos extorsivos ao Império. 

Logo após o nascimento, José, Maria e o bebê Jesus mudaram-se para o Egito, fugindo de Herodes. Anos depois, de volta a Israel, estabeleceram-se em Nazaré, vilarejo tão pobre e infame que as pessoas perguntavam: pode vir alguma coisa boa de lá? Jesus viveu de forma modesta, como seu povo. 

Mas o fato mais notável do Natal é que, naquele berço improvisado, o Pai já via a sombra da cruz. Jesus veio para isso. Cresceu e se tornou o “Servo Sofredor”, conforme Isaías profetizou cerca de 700 anos antes. Releia o versículo em destaque, que resume a sua obra. Sim, o Natal raiz não é menos lindo – pelo contrário! A maravilha do momento em que o Deus Único, Eterno e Absoluto mostrou como se importa conosco, a ponto de fazer-se um de nós e, como homem, tomar sobre si a culpa pela nossa maldade – inclusive toda indiferença e ódio que recebeu sem merecer. 

O Natal raiz rende louvores àquele que deixou sua glória, tornou-se um de nós para pagar a pena que era nossa. 

Miguel Herrera Júnior, Bragança Paulista/SP. Extraído do site https://presentediario.transmundial.org.br 

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